Tecnologia é mais cara no Brasil

BRASÍLIA. Ferramenta fundamental para aumentar a produtividade, as tecnologias digitais no Brasil estão entre as mais caras do mundo, aponta o relatório “Emprego e Crescimento: A Agenda da Produtividade”, divulgado nessa quarta-feira (7) pelo Banco Mundial (Bird). Em uma lista de 125 países pesquisados, o Brasil está entre os cinco onde o custo de uma cesta de serviços digitais é mais cara. Nesse quesito, o país só tem a companhia de algumas nações no centro da África. “Em setembro de 2017, um iPad no Brasil era mais caro do que em 57 países pesquisados: custava mais que dobro do que na Califórnia ou Hong Kong”, diz o documento.

O texto afirma ainda que o custo é elevado por causa das altas tarifas de importação e dos impostos elevados. A eliminação dessas barreiras elevaria a adoção de novas tecnologias por parte das empresas em algo entre 17% e 37%. Com isso, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita aumentaria perto de 1,5% ao ano. “Além de aumentar a renda média, a adoção de tecnologias tem o potencial de elevar o crescimento da produtividade, a criação de empregos e os salários”, aponta o relatório do Bird.

O documento diz ainda que a mobilidade social é maior em áreas onde há mais cobertura de internet. “Supondo que o talento empresarial seja uniformemente distribuído na população, a inovação abre a porta para que indivíduos menos favorecidos migrem da baixa para a alta renda no espaço de uma geração”, afirma o relatório da instituição.

Trabalhador. O documento destaca ainda que o Brasil precisa melhorar a produtividade do trabalhador para voltar a crescer. Caso mantenha a taxa atual, o país terá crescimento restrito a 1,8% ao ano. Com melhora no indicador, o país poderia chegar à taxa de 4,4% ao ano, acrescenta o estudo.

A produtividade do trabalhador no Brasil vem aumentando cerca de 0,7% ao ano desde meados da década de 1990, segundo o documento do Banco Mundial. Conforme a instituição, um trabalhador médio no Brasil é hoje apenas cerca de 17% mais produtivo do que era há 20 anos. Entre trabalhadores médios de países de alta renda, o aumento no período foi de 34%.

“O crescimento da produtividade é fundamental para gerar empregos melhores e aumentar o padrão de vida das pessoas, ao reduzir preços e elevar a qualidade dos produtos consumidos, destaca o relatório. O Bird ressalta ainda que gerar empregos é importante para que Brasil mantenha as conquistas obtidas até 2010, uma vez que dois terços da redução da pobreza do Brasil de 2000 até aquele ano deram-se pela geração de postos de trabalho.

Entre 1996 e 2015, enquanto a média anual de crescimento do PIB era de 2,6%, aproximadamente dois terços desse incremento corresponderam aos aumentos da força de trabalho e da educação e um terço ao aumento do capital físico.

Local. O Bird também propõe reduzir as exigências de conteúdo local, política adotada nos governos Lula e Dilma para estimular a indústria local que, muitas vezes, resultava em custos maiores.

Banco sugere fim de incentivos

Ainda segundo o documento do Banco Mundial, o governo brasileiro deveria fazer um “pente-fino” nos incentivos fiscais, entre eles o Simples e a Zona Franca de Manaus, eliminando aqueles que não são eficientes e utilizar os recursos para a inovação tecnológica e no apoio aos trabalhadores.

Em 2015, o Brasil destinou 4,5% de seu Produto Interno Bruto (PIB) a programas de apoio a empresas, como subsídios e desonerações. Eles foram criados para tentar compensar a perda de competitividade das empresas brasileiras por causa do Custo Brasil.

No entanto, esses programas raramente têm seu retorno mensurado. Eles não têm objetivos predefinidos que permitam analisar seus resultados. Além de caros, os incentivos atuam contra a concorrência, pois protegem empresas já estabelecidas. Com isso, eles dificultam os ganhos de produtividade.

A produtividade seria beneficiada também por uma reforma tributária que simplificasse radicalmente o sistema de impostos e contribuições. O Brasil ocupa uma posição isolada de líder mundial em horas gastas pelas empresas para pagar tributos, em detrimento da produção. A unificação de regras e a eliminação das isenções deveriam ser princípios básicos de uma reforma, sugere o relatório.

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