Tecnologia brilha mais do que a discreta França na vitória sobre Austrália

Primeiro pênalti marcado pelo VAR e vigilância eletrônica na linha do gol garantem os três pontos na estreia francesa

Por
Fernando Beagá

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16 jun 2018, 09h21 – Publicado em 16 jun 2018, 09h09

Se a Copa do Mundo da Rússia começou no quesito bom jogo em sua quarta partida, no empate entre Espanha e Portugal, na tecnologia a vitória da França por 2 a 1 sobre a Austrália foi o marco. O árbitro uruguaio Andrés Cunha foi o responsável por anotar o primeiro pênalti utilizando o árbitro assistente de vídeo (VAR, na sigla em inglês). E contou novamente com a tecnologia quando a vigilância eletrônica sobre a linha da meta permitiu que ele, em poucos segundos, decretasse o gol que valeu a discreta vitória francesa.

A França deu a falsa impressão de que iria se impor, obrigando o goleiro Ryan a trabalhar três vezes nos cinco primeiros minutos. Mas foi a paciente Austrália quem teve uma chance mais nítida, aos dezessete: a cabeçada de Leckie obrigou Lloris a usar toda sua envergadura. Na maior parte do tempo, as defesas rebateram as tentativas. E os franceses foram cabisbaixos para o vestiário, cientes do tamanho da frustração no saldo da expectativa.

Mbappé fez história como o mais jovem francês em campo em Mundiais. Havia a chance de o australiano Tim Cahill entrar em campo e igualar Pelé, Seeler, Klose e Cristiano Ronaldo, únicos a anotarem gols em quatro Copas diferentes — ele não entrou. Mas o que vai ser lembrado na história será a intervenção do VAR. Quando Griezmann desabou na área australiana, aos 12 do segundo tempo, o árbitro deu sequência ao lance. Até ser alertado, analisar o vídeo e permitir ao camisa 7 francês, até então apagado, abrir o placar. Quatro minutos depois, não houve dúvida: o toque de mão o francês Umtiti, cobrança perfeita de Jedinak. O jovem zagueiro do Barcelona não se deu conta de que, cercado por 33 câmeras, não dá mais para ser maroto.

O badalado trio ofensivo dos azuis não funcionou. Dembélé, Griezmann e Mbappé alternaram suas posições no ataque, sem sucesso. O técnico Didier Deschamps promoveu mudança (com Giroud e Fekir), mas foi o meio de campo que salvou a tarde francesa, no avanço de Pogba, numa bela e rara troca de passes. Não fosse a tecnologia, entretanto, a França não teria marcado seus três primeiros pontos. Merci, tecnologia…

A Austrália volta acampo na quinta-feira, às 9h, contra a Dinamarca, em Samara. Mais tarde, ao meio-dia, França e Peru fecham a segunda rodada do grupo C.

Ponto alto

Derrota doída para a Austrália, que mostrou boa postura tática e se torna preocupação para Dinamarca e Peru, se imaginavam que os cangurus seriam, na verdade, zebras.

Ponto baixo

Quando o árbitro Andrés Cunha foi alertado pelo VAR sobre o lance do pênalti sobre Griezmann, ele já havia dando continuidade ao jogo. E se a Austrália tivesse feito um gol no lance seguinte? Seria anulado? Um alerta para a Fifa.

Ficha do jogo
França 2 x 1 Austrália
Local: Arena Kazan. Árbitro: Andrés Cunha (URU). Público: 41.279. Gols: Griezmann, aos 13, Jedinak, aos 17, Pogba, aos 35 do segundo tempo.
França: Lloris; Pavard, Varane, Umtiti e Hernández; Kanté, Tolisso (Matuidi) e Pogba; Mbappé, Griezmann (Giroud) e Dembélé (Fekir). Técnico: Didier Deschamps.
Austrália: Ryan; Risdon, Sainsbury, Milligan e Behich; Mooy e Jedinak; Leckie, Rogic (Irvine) e Kruse (Arzani); Nabbout (Juric). Técnico: Bert Van Marwijk.

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