Tecnologia atual ainda não permite habitação de Marte, diz estudo

Uma argumentação comum a quem defende a habitação de Marte — ou a Terratransformação de Marte, como divulgam os entusiastas da proposta — é que seria possível liberar o gás carbônico preso na atmosfera marciana para aquecer o planeta. Com isso, as condições no planeta se aproximariam daquelas encontradas na Terra.

Um estudo da Universidade de Colorado patrocinado pela Nasa, agência espacial americana, nos Estados Unidos, contudo, mostrou que Marte não retém dióxido de carbono o suficiente para possibilitar o seu aquecimento. Também a tecnologia atual não permitiria a produção de gases suficientes para serem liberados no planeta.

O CO2 é conhecido como um gás de efeito estufa e, no planeta Terra, é apontado como um dos principais gatilhos para o aquecimento global — o aumento da temperatura média da Terra. Em Marte, no entanto, a ideia era que o gás poderia ser útil para aquecer a atmosfera do planeta.

A pesquisa foi publicada na segunda-feira (30) na “Nature Astronomy”. Pesquisadores analisaram dados de cerca de 20 anos de espaçonaves que estudaram o planeta. Mais especificamente, eles investigaram o quanto Marte tem de minerais portadores de carbono. Cientistas também analisaram a ocorrência de CO2 no gelo polar.

Os resultados, no entanto, foram desanimadores para quem previa uma habitação mais rápida de Marte — principalmente após a descoberta de grande quantidade de água líquida na superfície marciana.

“Nossos dados sugerem que não há CO2 suficiente em Marte para fornecer aquecimento significativo. Além disso, a maior parte do CO2 não é acessível e não pode ser prontamente utilizada”, diz Bruce Jakosky, pesquisador da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos.

No eclipse lunar da sexta-feira (27), brasileiros puderam observar Marte ao lado da Lua. Registro acima foi feito em Volta Redonda, em São Paulo (Foto: Lara Gilly/G1)No eclipse lunar da sexta-feira (27), brasileiros puderam observar Marte ao lado da Lua. Registro acima foi feito em Volta Redonda, em São Paulo (Foto: Lara Gilly/G1)

No eclipse lunar da sexta-feira (27), brasileiros puderam observar Marte ao lado da Lua. Registro acima foi feito em Volta Redonda, em São Paulo (Foto: Lara Gilly/G1)

O vapor de água e o CO2 seriam os gases passíveis de liberar o aquecimento. Estudos anteriore,s no entanto, mostraram que a água não pode fornecer aquecimento significativo sozinha. Ainda, para que ela consiga permanecer na forma de vapor, serria necessário um aumento significativo de CO2.

Outros gases poderiam ser introduzidos no planeta, mas eles seriam de curta duração e exigiriam processos de fabricação em larga escala — o que não seria possível hoje, dizem os pesquisadores.

O problema da pressão atmosférica em Marte

Como Marte está mais distante do Sol, cientistas estimam ser necessário uma pressão atmosférica semelhante a da Terra no planeta para que ele se mantenha aquecido. O problema é que atualmente a pressão atmosférica em Marte é 0,6% da nossa pressão.

A pressão atmosférica é a força que o ar exerce em uma determinada área. A vaporização das calotas polares, que retém CO2, poderia liberar um pouco de pressão, mas só o suficiente para dobrar a marciana — e não chegar aos níveis da pressão terrestre.

Outra fonte poderia ser o CO2 ligado a partículas de poeira em solo marciano, que poderia ser aquecido para liberar o gás, ou de carbono bloqueado em minerais. Todas essas fontes também não elevariam suficientemente a pressão atmosférica.

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