Laboratório olímpico do COB usa tecnologia de ponta para ajudar atletas

Uma promessa do atletismo brasileiro — o calcanhar de Aquiles do Comitê Olímpico do Brasil (COB) — entra sonolento na sala de força do Laboratório Olímpico, no Parque Aquático Maria Lenk, na Barra. Ao contrário de boa parte dos atletas que ali estão, Vitor Hugo Santos, de 22 anos, não vai treinar. Em uma esteira que liga com a força da própria passada, e cheio de eletrodos presos pelo corpo, Vitor está sendo minuciosamente estudado.

Proibido de competir até o fim do ano, ele entrou na mira de médicos, biomecânicos, biomédicos, químicos, fisioterapeutas e psicólogos que trabalham no laboratório olímpico e estão obcecados em entender o que o faz se lesionar tanto.

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Foram três problemas no posterior da coxa direita em menos de um ano. Por causa da dor, Vitor parou de competir nos 200m livre e se concentrou nos 100m livre, prova em que obteve bons resultados. Ele era a grande promessa do atletismo nos Jogos de 2016 e continua sendo uma aposta para Tóquio-2020. Por isso, o COB o trouxe de São Paulo para o Rio.

— Avisamos ao clube que ele não compete mais esse ano. A prioridade é saber o motivo das lesões, para que possamos atacar o problema e, assim, deixá-lo perfeito para competir nos dois últimos anos do ciclo — explica Jorge Bichara, gerente-geral de alto rendimento do COB. — Copiamos os modelos que já foram feitos no mundo todo: entender o motivo da lesão, curá-la e evitá-la a todo custo.

O diagnóstico de Vitor não está fechado, mas o grupo de estudos do COB já identificou que há um encurtamento de musculatura, provavelmente por deficiência de alongamento. Através do histórico de outros atletas, é possível encontrar um padrão de lesões em atletas que vieram da mesma base que Vitor, um projeto social na Zona Oeste do Rio.

— Vamos tratar. Se o problema for por causa da pisada errada, por exemplo, não dá mais para corrigir para este atleta. Temos que trabalhar compensação com palmilha, exercícios e toda a tecnologia que temos para prevenir lesão. Mas podemos arrumar na base. Então, com o diagnóstico completo, poderemos alertar aos professores da base — acrescenta Bichara.

MAPEAMENTO

O Laboratório Olímpico do COB é uma estrutura supermoderna que, além de trabalhar para diagnosticar lesões e outros “vícios” de treinamento, investe na prevenção. Quando O GLOBO esteve no Maria Lenk, os atletas da seleção de caratê — modalidade que se tornou olímpica e estará nos Jogos pela primeira vez em Tóquio — estavam sendo “mapeados”: realizaram exames de sangue sofisticados, de resistência e fôlego e térmico, que é capaz de prever uma lesão que nem dor causa ainda.

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Um dos monitoramentos consiste em fazer o atleta repetir muitas vezes movimentos que executa em sua modalidade usando o medidor cardiopulmonar. Neste exame é possível identificar erros ou aspectos a serem melhorados na preparação.

O carateca Hernani Veríssimo usa um medidor cardiopulmonar no laboratório olímpico do COB – Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Segundo Jorge Bichara, os dados captados dos atletas são divididos com treinadores e federações e alguns profissionais vão a competições para acompanhar e realizar exames complementares. A ginástica artística, em que lesões e cirurgias fazem parte da rotina, devido ao alto impacto, é uma das modalidades acompanhadas de perto.

No entanto, não é só do físico que o Laboratório Olímpico toma conta. O lado mental também merece cuidados. No local, há psicólogos, coachings (treinadores pessoais voltados para a saúde mental e autocontrole) e toda uma estrutura voltada para a saúde mental tanto para atletas quanto para treinadores.

Um dos casos de sucesso é Diego Hypolito. Depois do trauma em duas Olimpíadas (Pequim-2008 e Londres-2012), o ginasta precisou de suporte até conseguir conquistar a medalha de prata nos Jogos do Rio.

— Treinamos aqui o Diego e o técnico dele. Cada atleta tem uma motivação. O (Arthur) Zanetti tem um perfil, o Hypolito, outro. O treinador precisa também saber lidar e motivar essa diferença. Para isso, temos que treinar, oferecer cursos e suporte para os treinadores — diz Bichara. — A Rafaela (Silva), quando perdeu em Londres, também precisou. E vários outros atletas precisam. Por diferentes demandas.

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