Ações dos EUA caem puxadas por setor de tecnologia

As ações sofreram forte queda nos mercados dos Estados Unidos nesta terça-feira (20), colocando os maiores índices das bolsas do país em risco de fechar abaixo de suas marcas mais baixas em outubro, e de eliminação dos avanços registrados até agora este ano.

O que começou como uma onda de vendas de ações de tecnologia se expandiu a outros quadrantes do mercado, e os investidores despejaram ações de numerosos setores, como o varejo e o de petróleo e gás natural, e saíram em busca de ativos relativamente seguros, como títulos, e de papéis de empresas que pagam dividendos de maneira confiável, como as de infraestrutura.

O resultado: alguns operadores que entraram no mercado para abocanhar ações em baixa no final de outubro, na esperança de uma rápida recuperação, agora estão em risco de perder esse potencial lucro, e mais. Isso coloca o mercado de ações em posição precária, disseram diversos observadores.

“O pessoal que compra na baixa está ficando preocupado”, disse Justin Wiggs, diretor executivo de operação de ações na corretora Stifel Nicolaus.

De acordo com os cálculos dele, cerca de 16% das empresas que formam o índice S&P 500 tinham cotações inferiores às de seu ponto mais baixo em outubro, na manhã de hoje. As empresas em questão variam de gigantes da tecnologia a companhias do setor de saúde e empresas de energia.

“Agora estamos na fase do vamos vender tudo”, disse.

Em transações recentes, o S&P 500 caiu em 1% e o índice industrial médio Dow Jones caiu em 1,4%, ou 333 pontos, os dois a caminho de fechar o ano no vermelho; o índice composto Nasdaq caiu em 0,7%.

O Nasdaq fechou na segunda-feira (19) abaixo de sua marca de 29 de outubro, a mais baixa daquele mês, e o Dow Jones caiu brevemente abaixo de sua marca mais baixa em outubro, em dado momento da terça-feira (20).

O Nasdaq caiu em 3% na segunda-feira, e fechou perto de sua marca mais baixa em sete meses, e a gigante da tecnologia Alphabet deslizou para o território do “bear market” [uma baixa de mais de 20% ante o valor de pico].

Na terça-feira, com o setor de tecnologia em queda, foi a vez de fabricantes de bens de consumo e de empresas de energia derrubarem os índices.

As empresas de petróleo e gás natural tropeçaram, quando o preço do petróleo cru negociado nos Estados Unidos caiu em 2%, o que elevou sua queda a mais de 20% nos últimos 30 dias.

O varejo, que vinha se recuperando recentemente, desabou depois de a Target anunciar que estava enfrentando custos mais altos em sua cadeia de suprimentos e nos salários de seu pessoal. As ações da companhia caíram em 9,2%.

Ryan Wibberley, presidente-executivo da CIC Wealth Management, uma administradora de investimentos sediada em Gaithersburg, Maryland, disse que um cliente lhe telefonou na segunda-feira instruindo-o a comprar ações da Apple. Ele disse que concordou em fazê-lo, mas com certa cautela.

“Não estou convencido de que acabou”, ele disse, sobre a onda de vendas. As ações da Apple fecharam a segunda-feira com queda de 4%, e caíram em mais 3,6% na terça-feira. Do começo de outubro para cá, caíram em mais de 20%. A companhia já pediu dois cortes de produção do iPhone XR.

Ainda que Wibberley, cuja empresa administra cerca de US$ 600 milhões em investimentos, tenha dito que antecipa queda maior para os principais índices, ele ainda acredita na saúde da economia dos Estados Unidos.

Muita gente o acompanha nessa convicção. Analistas dizem que existem poucos indícios que apontem para uma recessão iminente.

Os rendimentos vêm crescendo de maneira sólida, a produção industrial subiu em ritmo sólido pelo quinto mês consecutivo em outubro, e o crescimento da economia americana, embora tenha se desacelerado, continua a manter ritmo mais alto do que o obtido durante boa parte da mais longa expansão econômica dos Estados Unidos desde a crise financeira.

Outro motivo para que Wibberley não esteja preocupado com uma recessão iminente é o otimismo de seus clientes, muitos dos quais empresas.

“Um de meus clientes é dono de uma construtora e disse que tem mais pedidos confirmados, mais contratos assinados e mais trabalhos a executar do que em qualquer momento do passado”, ele disse.

“Não vou ficar sentado me preocupando com uma recessão”.

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